Outro dia, acompanhada de uma
amiga, estava a entrar no prédio onde trabalhamos para escapar o mais rápido possível
do calor, quando me deparei com a seguinte cena: um senhor empurrando um
carrinho de picolé com certa dificuldade; de figura desgastada, parecia estar bem
exausto. Era uma tarde de um escaldante sol das 15h. Fixei os olhos nele, que
já ia mais à frente, quando resolvi chamá-lo para comprar seu picolé.
Eu não trazia dinheiro físico no momento, andava apenas com aplicativo de banco, e eu não quis fazer transferência, não quis perguntar se aceitava Pix, não quis me ‘demorar na rapidez da transação’, eu sei por qual motivo, mas não consigo descrever com palavras. Achei mais prático perguntar a minha amiga se ela me emprestaria para que eu lhe pagasse assim que entrássemos no prédio; ela concordou, pois nossa amizade se desenvolvera a tal ponto que uma poderia pedir ajuda a outra nesse tipo de situação, muitas vezes olhada e insultada pela indiferença.
Nessa época, ela não era usuária de aplicativo de banco, inclusive, eu fui uma que a encorajei para passar a fazer transferências online e não precisar transportar dinheiro físico. Mas sobre essa questão, já fui orientada pelo Criador a me corrigir: o aperfeiçoamento dos smarthphones gera uma inclinação ao abandono de ‘velhas tradições’, e às vezes somos surpreendidos precisando do arcaico mofado.
Eu pedi um picolé para mim e quis que ela também escolhesse. Perguntei os sabores e o senhor foi nos dizendo com certa disposição, apesar do cansaço, enquanto o sol continuava a nos castigar. Após nos atender, ele seguiu seu laborioso caminho empurrando o carrinho. Entramos no prédio e, livres do sol, consumimos os picolés. Quando fui devolver o dinheiro, minha amiga não aceitou; com uma grande sensibilidade e humanidade, ela compreendera.

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