De vez em quando eu sinto a
necessidade de passar para frente alguns de meus livros, para que outras
pessoas possam ter a mesma oportunidade que eu. Nesse contexto, certa vez, tive
vontade de presentear uma garotinha. À época com seus dez anos idade, enviei-lhe
por intermédio de seu tio O PEQUENO PRÍNCIPE e um caça-palavras infantil.
Tive nenhum contato pessoal com
ela, apenas a vi por foto, e muito pouco com o tio, mas o suficiente para lhe fazer a proposta. Ao aceitar, ele se atentou em reforçar que, para ela, precisaria ser algo bem acessível, pois
era autista, um detalhe já conhecido por mim. Senti o seu cuidado ao acolher os
livros e, ao mesmo tempo, a delicada e sensível preocupação com ela e o material
que lhe seria enviado.
Ao receberem a encomenda, vi um
registro do sorriso da garota, contente com as prendas.
– Miriam* está radiante (...)
(...) ela está agarrada com o
livro (...) e curioso que ela estava aqui, porque ela mora pertinho.
Mal sabia eu que ao lhe enviar essas lembranças, eu é quem estava sendo presenteada. Não era um presente de aniversário (e nem de Natal).
*Modificado para preservar a identidade.

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