O Fantasma da Ópera, Gaston Leroux

A história de “o Fantasma da Ópera” se desenrola em torno de uma figura enigmática que habita as instalações subterrâneas da Ópera de Paris. Tal personagem passou a ser conhecido como Fantasma da Ópera e sinalizava sua presença no prédio por meio de eventos curiosos e inexplicáveis para os leigos que frequentavam o local, alimentando-os com ideias fantasiosas. Tamanha era a superstição dessas pessoas que chegavam a acreditar no toque do ferro para afastar mal olhar ou proteger do sobrenatural mau. 

A “assombração”, na verdade, era um homem bem real chamado Erik. Ele chantageava os administradores do prédio para manter o camarote nº 2 livre para si e receber um salário de 20 mil francos. Em caso de desobediência, provocava os eventos que alimentava o imaginário das pessoas. Christine Daaé, umas das jovens cantoras do corpo artístico do Ópera de Paris, também era o outro motivo para Erik manipular a situação, pois estando apaixonado pela moça, ele agia em prol de sua ascensão artística, a quem se apresenta como o Anjo da Música e lhe dava aulas de canto.



Há muitos anos, o pai de Daaé foi um grande violinista e professor de Raoul Chagny, situação que permitiu a aproximação das crianças. Os dois eram parecidos em suas personalidades tranquilas e sonhadoras, e conforme cresciam e conviviam, se apaixonavam. O reencontro dos amigos de infância na Ópera de Paris, durante uma apresentação de Christine, agora órfã, culminou na formação de um triângulo amoroso.

Quando criança, Christine ouvia seu pai contar histórias do folclore nórdico, e uma delas dizia que o Anjo da Música visitava os grandes músicos e artistas pelo menos uma vez na vida, sendo apenas ouvido, mas não visto. Seu pai ainda lhe disse que quando estivesse no céu, enviaria o anjo para ela. Por Christine conservar a credulidade e ternura pelos tempos passados com o pai, Erik se aproveitou dessa história para manipular a garota.

A verdadeira essência da obra reside na tentativa de compreender a complexidade de Erik: a origem de suas posturas e habilidade de mover-se pela Ópera de Paris sem ser detectado, desafiando a noção do REAL x FANTASIOSO. Com esse triângulo amoroso e personagens supersticiosos como alívio cômico, Gaston Leroux nos entrega, ainda hoje, uma história que vai além de uma simples leitura recreativa. “O Fantasma da Ópera” é, ao mesmo tempo, sinistro e melancólico; um terror com um íntimo de drama e suspense.

“– Então somos infelizes quando amamos?

– Sim, Christine, quando amamos e não temos a certeza de sermos correspondidos.”

“Eles brincavam com o coração como os outros brincam com uma bola, só que como eram de fato seus dois corações que eles jogavam um para o outro, era necessário que ambos fossem muito, muito hábeis, para recebe-los sem os machucar.”

O foco narrativo de “o Fantasma da Ópera” é narrador observador onisciente intruso, na minha opinião. Os fatos são escritos de forma não linear, como se fossem peças de um grande quebra-cabeça que, ao final da montagem, nos dá a figura que, neste caso, é o relato concluído de uma investigação feita pelo próprio narrador, que se apresenta como jornalista/historiador.

Considerei essa obra fácil de ler, mas densa por conta do seu significado profundo e atemporal. Publicado pela primeira vez entre setembro de 1909 e janeiro de 1910 como uma série no jornal Le Gaulois, sua leitura também me fez pensar sobre convenções humanas e como elas podem ser esmagadoras caso sejam absorvidas. Obras e autores famosos como Fausto, Andersen, Runemberg também são citados ao longo da trama mostrando o cenário da cultura parisiense da época.

Eu creio que é um livro que necessita de um pouco de paciência para lidar, pois seu início é um pouco lento, há muitas descrições sobre os espaços e os personagens, o que pode torná-lo cansativa, mas depois desenrola rapidamente, o que fez com que eu sentisse curiosidade pela história de Erik e o concluísse em duas semanas.

“Uma pessoa muito bonita tem o direito de amar o monstro mais horrível”


Feliz Natal e um próspero 2025 para todos nós. Que a Luz do Menino Jesus se faça presente nos próximos 365 dias.

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