ARBEIT MACHT FREI
O trabalho liberta
Essa é a frase colocada nos
portões de entrada de muitos campos de concentração que operaram durante a 2ª
Guerra Mundial e mostrada em o Tatuador de Auschwitz. Ele já é o
quarto livro que leio sobre o tema; já fazia um tempo que o tinha adquirido,
iniciei sua leitura cerca de três vezes, mas não conseguia seguir adiante até
então, mesmo depois de um longo período afastada desse tema justamente por
conta do aspecto negativo que provoca, contradizendo com as reflexões que
incita sobre nossas condutas, o que o torna um bom material para apreciação por
quem consegue acessá-lo.
O Tatuador de Auschwitz é uma ficção e, apesar de não se tratar de um registro oficial, que é afirmado pela própria autora em uma nota, ela nos traz ricos detalhes sobre o funcionamento de Auschwitz – Birkenau como verdadeira indústria mortes e o tratamento que os prisioneiros recebiam, tais como a tatuagem numérica, o que fazia com que perdessem sua identidade; a alimentação inadequada, que proporcionava um estado deplorável de subnutrição; a exposição a doenças como o tifo, por exemplo, muito comum por conta das péssimas condições de higiene; além dos trabalhos forçados que eram obrigados a fazer. Tudo isso, que tinha o preconceito como fundamentação, ao se somar, provocava grandes problemas psicológicos nessas pessoas quando não a morte. Muitos também eram executados tão logo chegassem ao campo, muitas vezes para proporcionar diversão aos carrascos.
Os relatos descritos em o
Tatuador de Auschwitz vêm para somar com muitos outros já publicados
por sobreviventes e têm em seu âmago a história real do casal Lale Sokolov e
Gita Fuhrmannova, judeus testemunhas desses eventos e que se conheceram em
Auschwitz – Birkenau em 1942 quando o primeiro foi "promovido" a
tatuador oficial do campo, o tätowierer. Lale ficava horrorizado em
ter que marcar a pele de pessoas, principalmente de mulheres, e foi nessa
função que conheceu Gita, ao ter que exercer sua função.
A partir desse primeiro encontro
nasceu um bonito sentimento que conseguiu sobreviver a tais episódios. Com uma
posição "privilegiada", com direito até dias de folga quando não
chegavam novos prisioneiros, Lale conseguia joias e dinheiro para trocar por
porções de comida extra e remédios que compartilhava com seus companheiros e
com Gita, para a qual também conseguiu um serviço menos laborioso. Antes ela
trabalhava no Kanada (Canadá), um depósito, onde os prisioneiros
separavam os pertences das vítimas. A área era assim chamada porque o Canadá
era considerado um país de grandes riquezas.
O casal sabia que ambos
corriam risco de morte, viram colegas sofrer as represálias e também tinham a
preocupação de serem considerados colaboradores do regime por conta de
suas funções mais "leves" adquiridas. Com certeza despertava inveja
de outros prisioneiros, algo difícil de ser julgado. Quando o campo estava para
ser liberado pela União Soviética, Lale e Gita se separaram provisoriamente.
O Tatuador de Auschwitz também é interessante no sentido em que é bem
traduzido, de leitura acessível e sem floreios, além do que trata de valores
que precisamos repensar e seguem esquecidos, na minha opinião. O contexto
da narrativa é triste, mas acredito que dê uma esperança para as pessoas que
perderam a fé no amor, além de ser instrumento adicional para aprender um pouco
mais sobre esse recorte da história da humanidade. Outra opinião pessoal é que
não recomendo a leitura se a pessoa não estiver em uma boa fase psicológica, e
sobre o final, deixo nas mãos de quem se interessar pela leitura.
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