A capa de um livro pode nos chamar a atenção, mas as primeiras palavras da história contada por ele são primordiais para que o leitor continue a explorá-lo. Aqui trago o começo de alguns livros da literatura estrangeira que já li e gostei muito. Espero que auxiliem a despertar a curiosidade de vocês em relação a eles e, quem sabe, um dia possam ler algum(s) dele(s). Isso aí, o tempo lhes dirá. O tempo pode ser um forte aliado nosso, leitor, desde que saibamos tê-lo ao nosso lado:
"Scarlett O’Hara não era linda, mas os homens raramente se davam conta disso quando enredados por seu encanto, como acontecia aos gêmeos Tarleton. Em seu rosto, os traços delicados da mãe, uma aristocrata litorânea de ascendência francesa, combinavam-se com excessiva nitidez aos do pai irlandês, mais grosseiros. Mas era um rosto arrebatador, de queixo pontudo e maxilar quadrado. Os olhos eram verde-claros, sem qualquer toque de castanho, sombreados por profusos cílios negros de pontas levemente arqueadas. As sobrancelhas espessas e escuras, um tanto oblíquas, sobressaíam-se na pele alva como a magnólia, aquela pele tão apreciada pelas mulheres sulistas, e muito bem protegida contra o sol quente da Geórgia por chapéus de sol, véus e luvas."
...E o vento levou (Margareth Mitchell)
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"Todas
as histórias verdadeiras possuem um ensinamento, embora nalgumas seja difícil
de encontrar, e, quando se encontre, seja tão pequeno que, tal como acontece a
uma noz seca e encarquilhada, mal nos compense do trabalho de lhe quebrar a
casca. Se tal sucede com a minha história, não me compete a mim julgar. Penso,
às vezes, que pode ser útil a alguns, e entreter outros, mas cada qual avaliará
por si."
Agnes Grey (Anne Brontë)
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"Langford, Dezembro, 17...
Meu
Querido Cunhado,
Não posso
mais me privar do prazer de desfrutar do amável convite que me fez, quando nos
despedimos pela última vez, de passar algumas semanas com vocês em Churchill,
e, portanto, se for conveniente para você e Mrs. Vernon receber-me no momento,
espero dentro de poucos dias ser apresentada a uma cunhada a quem há muito
desejo conhecer. Meus amáveis amigos aqui insistem afetuosamente comigo para
que prolongue minha estadia, mas sua disposição alegre e hospitaleira os torna
sociáveis demais para a situação e o estado de espírito em que me encontro no
momento; e espero ansiosamente pela hora em que serei recebida em Seu
encantador retiro."
Lady Susan (Jane Austen)
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"Se
você quiser encontrar a Cherry Tree Lane,1 tudo o que precisa fazer é perguntar
ao guarda que fica no cruzamento. Ele vai empurrar de leve o capacete para o
lado, coçar a cabeça de modo pensativo; então vai apontar seu enorme dedo
enluvado de branco e dizer:
–
Primeira à direita, segunda à esquerda, dobre à direita de novo e vai chegar
lá. Tenha um bom dia. E com certeza, se seguir as orientações corretamente,
você chegará lá – na Cherry Tree Lane, no ponto onde as casas descem de um lado
da rua e o Parque sobe do outro e as cerejeiras ficam dançando bem no meio.
Se você
estiver procurando pelo Número Dezessete – e é mais que provável que esteja,
pois este livro é inteirinho a respeito dessa casa em particular –, logo vai
encontrá-lo. Para começar, é a menor casa da rua. Além disso, é a única que
está meio caída e precisando de uma mão de tinta. O sr. Banks, porém, que é o dono,
disse à sra. Banks que ela poderia ter ou uma casa boa e confortável, ou quatro
crianças. Mas não ambos, pois ele não poderia sustentar."
Mary Poppins (P.L. Travers)
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"Há
cerca de trinta anos, com apenas sete mil libras, Miss Maria Ward, de Huntington,
teve a boa sorte de cativar Sir Thomas Bertram, de Mansfield Park, do condado
de Northampton, sendo, portanto, elevada à posição de senhora do baronete, com
todos os confortos e consequências de uma bela casa e de vultosos rendimentos.
Toda Huntington comentou o casamento e até seu tio, o advogado, admitiu que lhe
faltavam no mínimo três mil libras para ter qualquer direito justo a ele. Ela
possuía duas irmãs que se beneficiaram de sua ascensão, e os conhecidos que
consideravam Miss Ward e Miss Frances tão belas quanto Miss Maria não hesitaram
em prever que se casariam quase com as mesmas vantagens. Mas certamente não há
no mundo tantos homens de grande fortuna quanto belas mulheres que os
mereçam"
Mansfield
Park (Jane Austen)
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"Não
havia qualquer possibilidade de fazer uma caminhada naquele dia. Na verdade,
estivéramos perambulando durante uma hora, pela manhã, sob as árvores nuas. Mas
desde o almoço (Mrs. Reed almoçava cedo, quando não havia visitas) o vento frio
do inverno trouxera nuvens tão pesadas e uma chuva tão penetrante, que qualquer
exercício ao ar livre estava agora fora de cogitação. Fiquei contente com
isso, nunca gostara de longas caminhadas, especialmente em tardes frias. O mais
terrível para mim era a volta para casa no frio entardecer, com os dedos e
artelhos congelados, o coração entristecido pelas repreensões de Bessie, a ama,
e humilhada pela consciência de minha inferioridade física em relação à Eliza,
John e Georgiana Reed."
Jane Eyre
(Charlotte Brontë)
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"Neva
em Edimburgo neste dia 16 de Abril de 1874. Um frio terrível, paranormal, que
fecha a cidade a cadeado. Os velhos dizem que é capaz de se tratar do dia mais
frio do mundo. Dir- -se -ia que o Sol desapareceu para sempre. O vento corta,
os flocos de neve são mais leves do que o ar. Explosões surdas de puro branco!
Não se vê mais nada. As casas parecem locomotivas a vapor, o fumo acinzentado
exalado pelas suas chaminés faz crepitar um céu da cor do aço."
A
mecânica do coração (Mathias Malzieu)
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"Para
começar, digamos que Marley tinha morrido. Neste particular, não pode haver
absolutamente a menor dúvida; a ata dos seus funerais havia sido assinada pelo
vigário, pelo sacristão, pelo homem da empresa funerária e pelas pessoas que
haviam conduzido o féretro. Scrooge também a tinha assinado. Ora, Scrooge era
um nome bastante conhecido na Bolsa, e sua assinatura era um documento valioso,
onde quer que ele a colocasse. O velho Marley estava tão morto como um prego de
porta. Perdão! Não quero dizer com isto que saiba por experiência pessoal o que
possa haver de particularmente morto num prego de porta. Por mim, eu estaria
mais inclinado a considerar um prego de ataúde como a coisa mais morta que
possa haver no comércio. Mas, como devemos esta comparação à sabedoria dos
nossos antepassados, tenhamos todo o cuidado em não profaná-la, ou, do
contrário, o país estará perdido. Assim pois, vocês hão de permitir-me repetir,
com insistência, que Marley estava tão morto como um prego de porta."
Um conto
de Natal (Charles Dickens)
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"A
família Dashwood há muito tempo se estabelecera em Sussex. Sua propriedade era
grande e a residência ficava em Norland Park, no centro de suas terras, onde,
por muitas gerações, viveram de maneira tão respeitosa que conquistaram uma boa
reputação entre os vizinhos. O último proprietário dessas terras era um homem
solteiro, que viveu até a mais avançada idade, e que durante grande parte de
sua vida teve a irmã como fiel companheira e governanta. No entanto, a morte da
irmã, dez anos antes da sua, produziu uma grande alteração na casa e para
tentar suprir tamanha perda, ele convidou e recebeu em sua casa a família de
seu sobrinho, Mr. Henry Dashwood, o herdeiro legal da propriedade de Norland e
a pessoa a quem ele pretendia deixar os seus bens. Na companhia da família de
seu sobrinho, os dias do velho cavalheiro transcorreram de maneira agradável.
Seu apego aos familiares cresceu com o tempo. O frequente atendimento de Mr.
Henry Dashwood e sua esposa aos desejos do tio, demonstrando que não agiam por
mero interesse, mas por pura bondade de coração, garantiu ao senhor o bom
conforto que sua idade merecia, assim como a alegria das crianças acrescentou
novos prazeres à sua existência"
Razão e
Sensibilidade (Jane Austen)
“UMA
CORDILHEIRA DE ESCOMBROS
ONDE
NOSSA NARRADORA APRESENTA:
ela
mesma
as
cores
e a
roubadora de livros
MORTE E CHOCOLATE
Primeiro,
as cores. Depois, os humanos. Em geral, é assim que vejo as coisas. Ou, pelo
menos, é o que tento.”
A
menina que roubava livros (Markus Zusak)
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