Olá, pessoal!!!!!
O fim de semana chegou e trago aqui uma dica de leitura que te proporcionará um momento muito agradável acompanhado de uma boa reflexão: “O touro Ferdinando”, de Munro Leaf.
Ferdinando é um touro diferente
dos demais. Enquanto seus amigos gostavam de pular, correr e dar cabeçadas uns
nos outros, Ferdinando preferia ficar quietinho e sossegado embaixo de um
carvalho. Passava horas admirando a natureza deitado à sombra da árvore
favorita e cheirando as flores do pasto onde vivia.
E foi assim desde que era um bezerrinho. Sua mãe, a vaca, preocupava-se com o comportamento do filho, pois pensava que, assim, o apaixonante animalzinho estaria se isolando do grupo. Mas Ferdinando não se importava. Todos os demais touros sonhavam em ser escolhidos para lutar nas touradas da Espanha, menos Ferdinando.
Não sei se será correta a forma
de me expressar, mas creio termos aqui um paradoxo. Sim! Essa é uma história
que será lida em torno de 5 a 10 minutos. Uma leitura rápida, mas que
despertará uma reflexão prolongada. Temos aí uma situação em que, para transmitir
uma lição, um texto não precisa de muitas palavras.
Garanto também que, após a leitura, a curiosidade será despertada para saber mais sobre o nosso protagonista e suas adaptações. Outra contradição aqui. Como um livrinho, direcionado especialmente para o público infantil causou tanta polêmica na época de lançamento, 1936? Chegou a ser proibido por ser considerado símbolo pacifista, participando da 'queima de livros' na Alemanha nazista. A Disney lançou um curta-metragem em 1939, fidedígno ao livro, chegando a ganhar o Oscar na categoria. E com razão o mereceu.
Em 1987, a extinta editora Círculo do Livro lançou um livro sobre
o tourinho na coleção Círculo do Mickey Walt Disney. Não cheguei a lê-lo, mas
deve ser encantador e considerado uma relíquia.
E agora, Ferdinando ganhou mais uma vida. A Twentieth Century Fox lançou o filme "O Touro Ferdinando", do diretor Carlos Saldanha, onde somos apresentados a uma história mais detalhada da vida de Ferdinando, tendo a participação, inclusive, do seu pai. Aproveitando o ensejo do novo filme, a Intrínseca relança o clássico para que a geração atual tenha acesso à versão original. Uma edição fofa, pequenina e de capa dura, que se assemelha à edição de 1939. Parabéns, 20th Century Fox, Carlos Saldanha e Intrínseca.
Voltando ao clássico de Munro Leaf, a mensagem que o autor nos passa por meio do nosso herói é bem clara. Precisamos ajudar a disseminar a paz por onde passamos respeitando as diferenças dos outros. Cada ser vivo, e isso não inclui apenas os humanos, é único em sua identidade. Tentar mudar essa identidade do próximo poderá trazer danos que poderão ser irreparáveis. Eis o porquê de ter sido considerado um livro inadequado na época. Muitas vezes caminhamos seguindo padrões estabelecidos por uma sociedade capitalista, onde você só vale o que tem ou você só é bonito se for alto e esbelto, por exemplo.
Levando esse exemplo para o
Reino Animal, são raras as pessoas que querem adotar um cachorro vira-lata. Há
pessoas que gastam muito dinheiro para comprar um animal de raça, quando muitos
sem raça, que têm o mesmo valor sentimental, esperam por uma família e podem
ser adquiridos de graça. E um sapo ou lagartixa, que podem controlar a
população de insetos em um local, valem menos na natureza do que um mamífero
como um gato, só por conta de sua aparência pré-estabelecida como não graciosa?
Eva Scholoss, enteada de Otto
Frank e sobrevivente judia de Auschwitz, em seu livro “Depois de Auschwitz”
relata que famílias como a dela jamais conheceriam ou se misturariam com
imigrantes judeus que chegavam a Viena, no início do século XX, que eram mais
pobres, menos instruídos, mais religiosos e menos ‘alemães’ em sua cultura
judaica quando comparados aos que já haviam assimilado o esplendoroso estilo de
vida austríaco. Podemos ver aí um anti-semitismo surgindo já dentro do próprio
grupo.
O preconceito é a semente de uma
grande árvore. Se ela for regada, as raízes e galhos se desenvolverão e
atingirão proporções exorbitantes a ponto de destruir o que estiver ao seu
redor. É uma pena que várias sementes dessa árvore já germinaram. E uma coisa é
certa: elas não tiveram suas raízes destruídas com o tempo. O que podemos ver é
apenas uma poda dos galhos em muitos locais e situações.
Ferdinando nos mostra que não
precisamos nos encaixarmos em padrões. Ele tinha todas as características
estabelecidas que levavam a crer que seria um vencedor de lutas: era alto,
forte e belo, chegando a despertar, involuntariamente, inveja e raiva em seus
colegas touros no filme lançado recentemente. Eis aí um outro problema. A
expectativa com base em características superficiais gera uma pressão que pode
fazer induzir à mudança de certas particularidades. Tudo isso apenas para nos
encaixarmos em um grupo. Os outros touros faziam de tudo para mostrar aos
humanos que poderiam ser escolhidos para lutar. Dessa forma, temos que nos
respeitar e respeitar os nossos semelhantes.
E nessa história toda, não poderíamos excluir do nosso momento Robert Lawson. Ele foi o ilustrador responsável pelos desenhos do livro de Ferdinando. De alta qualidade, as imagens conseguem chamar a atenção tanto quanto o texto. Assim, procurem ler o livrinho e assistir às adaptações. Garanto que não vão se arrepender!!!!



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