Hoje, dia 27 de janeiro, data da
liberação do campo Auschwitz-Birkenau em 1945, marca mais um Dia
Internacional da Lembrança do Holocausto, proclamado pelas Nações Unidas. Tendo
em vista as circunstâncias do dia, venho aqui registrar uma dica de leitura.
Claro que é triste ler sobre temas como esse, mas acredite, muitas lições você pode retirar.
Sempre que falamos sobre
holocausto e campos de concentração, logo ou, mais frequentemente, nos vem à
mente a lembrança dos judeus e, mais especificamente, de Anne Frank, a garota
judia que ficou escondida com a sua família e mais outras quatro pessoas no
Anexo Secreto, em Amsterdã, com a ajuda de amigos.
Sua história se tornou conhecida por todo o mundo por conta do seu diário publicado pelo pai Otto Frank. "O Diário de Anne Frank" é uma leitura quase que obrigatória para aqueles que leem sobre o assunto, inclusive para os estudantes de escola. Porém, devemos lembrar que os judeus não foram os únicos perseguidos nesse período tão conturbado, onde os ideais de desigualdade racial acionaram o gatilho para um assassinato em massa. É nesse contexto que entra o título "Canções de Ninar de Auschwitz" de Mário Escobar.
O livro narra a trajetória de
uma mulher alemã, Helene Hannemann, casada com um homem de origem cigana.
O casal teve cinco filhos. Assim sendo, as crianças tinham sangue alemão e
cigano. Na época, os ciganos também foram bastante perseguidos pela ideologia
racista.
Um dia, a polícia nazista bateu à porta de Helene. Ela estava de saída para o trabalho, e os filhos para escola. Na verdade, Helene quem estava sustentando a casa, pois seu marido, um talentoso violinista, já não conseguia emprego por conta da sua origem. A polícia chegou para levar justamente o marido e as crianças para um campo de trabalho. Como eram filhos de um cigano, eram considerados ciganos. Helene, por ser alemã, seria poupada e teve a opção de ficar, mas decidiu seguir a família.
Chegando em Auschwitz, depois de uma daquelas longas e hostis
viagens de trem sob condições sub-humanas, Helene e as crianças foram separadas
do marido. Por ter sangue alemão, ela foi convidada por Joseph Menghele, o
famoso "anjo da morte" e médico-chefe do campo, a dirigir uma creche
lá. Durante todo o tempo em que esteve à frente dessa direção, Helene tentou
dar dignidade às crianças ali locadas.
Helene chegou a ser questionada pelo próprio Menghele de como uma pessoa ariana se submetia àquelas condições para acompanhar uma família de raça impura. O médico chegou a conceder-lhe a liberdade alegando que, com suas origens, poderia casar-se novamente e ter outros filhos. Mas ela se negou a fazê-lo. E uma creche em Auschwitz? Qual seria o objetivo dos nazistas? Seria dar um tratamento mais brando para as crianças. Mas por quê? Por piedade será? Era um questionamento e algumas das respostas foram obtidas por meio da fumaça emitida pelas chaminés do campo.
Ao longo da leitura, o leitor é
apresentado aos horrores que os nazistas executavam no local, com descrições
detalhadas da vida dos prisioneiros no campo de concentração. A linguagem é
simples e bastante acessível, porém não é uma leitura fácil justamente por
conta das atrocidades expostas e que, infelizmente, não foram ficção. A capa
nos traz uma imagem do campo, de destroços provocado pela guerra, e a face de
uma mulher chorando. Uma imagem que, para mim, passa uma sensação um tanto
pertubadora.
Recomendo a leitura para quem é
interessado em histórias sobre a Segunda Guerra. Apesar de toda tristeza que
transmite a cada página, o livro nos repassa uma mensagem bem interessante
sobre maturidade, força e união familiar, bem como entre amigos, detalhes
escassos na humanidade, pois o que se vê muito mundo afora são famílias e
amizades se dissolvendo.
Já li outros livros que que abordam o holocausto, mas confesso que, após a leitura de Canções de Ninar de Auschwitz, achei melhor dar uma pausa no tema, pois me impressionou mais do que os outros. Porém, essa é só uma opinião pessoal. Após a leitura, é possível nos questionarmos novamente: onde estão os limites da crueldade humana? Aliás, será que há limites?
E você, gostaria de conhecer a nossa heroína Helene Hannemann?
Boa leitura e até a próxima!!!!!

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