Mais um ano termina e com ele os pensamentos fluem sobre passado, presente e futuro. Para encerrar as atividades do que foi 2025, vamos falar sobre uma história daquele que escreveu bastante usando a época como cenário para discutir questões do comportamento humano.
No
pequeno conto em questão, o senhor Humphrey, um homem já de idade avançada e
com alguma deficiência física que não é descrita, nos fala que costuma passar
os Natais sozinhos, e em uma noite de Natal, após jantar, resolve sair para um
passeio com objetivo de observar o comportamento festivo das pessoas, contemplando
alegremente os sinais jubilosos como crianças brincando e um operário segurando
seu bebê e, ao mesmo tempo, caminhando com sua esposa, felizes.
Ao avistar um restaurante silencioso e vazio, nosso narrador percebe que nele há apenas um cliente, de feições bondosas, mas triste e choroso, jantando sozinho. Senhor Humphrey tenta a aproximação e conclui naquele instante, por si mesmo, pelas suas observações, que algo delicado deve ter acontecido para o homem estar sozinho naquela data.
“Não
é, portanto, exagerado dizer que eu perderia de bom grado um de meus pobres
membros para que ele pudesse ouvir a voz do velho relógio.”
À primeira tentativa de contato, ele também percebe que o sujeito é surdo e, a partir do momento em que tenta lhe dizer uma palavra afetuosa de motivação, nasce uma grande amizade. Sempre que os dois se viam, não tocavam no assunto sobre o porquê da tristeza naquele dia, ambos respeitando o espaço do outro. O novo amigo apenas confirmou que o Natal sempre lhe foi um dia festivo, mas não deu detalhes por que naquele ano estava desacompanhado. Posteriormente, ao que parece, o homem passa a fazer parte do pequeno círculo de amizades do senhor Humphrey, conhecido como clube do relógio, já que um cavalheiro surdo é um dos personagens que frequenta as reuniões.
Em longo prazo, pelo conto isolado não se sabe o que acontece depois, já que se trata de um fragmento de uma obra maior, sendo necessário talvez conhecê-la por completo para mais detalhes. Mesmo assim, a leitura deste retalho é o suficiente para que uma mente vigilante entender a mensagem.
“Na
verdade, não vou lhe pregar o que eu não tenha praticado. Seja qual for o seu
pesar, não desanime... não desanime, por favor.”
No Brasil, a história faz parte da coletânea “um cântico de Natal e outras histórias”, da Martin Claret, mas foi publicada originalmente na revista “o Relógio do Senhor Humphrey”, escrita e editada pelo próprio Charles Dickens, e ficou no mercado de 1840 a 1841, onde ele lançou pequenos contos e dois romances, a loja de Antiguidades e Barnaby Rudge. O projeto foi iniciado como um teste quando o firmou contrato com William Hall, sócio da editora Chapman and Hall, para editar uma revista semanal. Nele pretendia uma miscelânea contendo uma narrativa contínua conectada por memórias do narrador, o senhor Humphrey, nesse caso.
Cada
edição da revista começava com uma história em que o personagem-título narrava
aos seus amigos, como numa espécie de clube de leitura – o relógio do senhor
Humphrey, assim alcunhado porque os textos eram guardados dentro de um velho
relógio perto de sua lareira. O plano de Dickens não alcançou o mesmo nível de
popularidade que os outros trabalhos, sendo cancelado com o término do romance
Barnaby Rudge em 1841. Talvez não seja o seu empreendimento mais conhecido, mas
é de interesse histórico para seus entusiastas e estudiosos.
Ao longo de sua criação, o conjunto de histórias foi publicado em quatro formatos distintos: (a) em 88 partes semanais, (b) 30 partes mensais, (c) uma edição em três volumes sob o título Master Humphrey's Clock, preservando a ordem completa e correta dos textos como apareceram originalmente e (d) em volumes encadernados separadamente das histórias “a loja de antiguidades” e “Barnaby Rudge”, tornando-se um material raro. A obra integral não tem tradução no Brasil e, infelizmente, são poucas as informações sobre esse trabalho.
O
Mestre Humphrey espera sinceramente (e quase se sente tentado a acreditar) que leitores de todos os tipos, jovens ou
velhos, ricos ou pobres, tristes ou alegres, fáceis de se divertir ou difíceis
de entreter, possam encontrar algo agradável no mostrador de seu velho relógio. Que, ao conhecê-lo, sua voz soe alegremente em seus ouvidos e sugira apenas pensamentos agradáveis. Que possam desenvolver associações favoritas e familiares ligadas ao seu nome e procurá-lo como um amigo bem-vindo. Semana após semana, então, o Mestre Humphrey acertará seu relógio, confiando que, enquanto ele conta as horas, às vezes as enganará de seu peso, e que, enquanto marca o fio do Tempo, espalhará algumas delicadas flores no caminho do Velho Ceifador. Até que chegue o período estipulado, e ele possa finalmente compartilhar livremente com seus leitores a confidência que tanto deseja manter, resta-lhe apenas despedir-se brevemente e aguardar o próximo encontro.
A todos, um feliz Natal e um 2026 cheio de graças...

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