250 anos com Jane Austen...

 

Hoje sabemos a sua verdadeira identidade, mas em vida ela permaneceu anônima, ainda que não usasse pseudônimo masculino. Mas por quê? Será que ao escrever ela estaria cometendo uma transgressão, já que atividades intelectuais como a literatura eram precisamente masculinas? Será que a revelação da sua autoridade de escritora em público, por ser mulher, poderia ser autoexposição negativa? Será que ela precisava que sua obra fosse avaliada pela qualidade e não por sua identidade?


Há 250 anos nascia alguém que se tornaria uma grande escritora. Sua caneta trabalhou em uma época em que as mulheres tinham poucos direitos legais e sociais, incluindo a escrita como profissão. Mesmo assim, sem perder a feminilidade, Jane Austen não hesitou em ajudar a criar espaço para o protagonismo feminismo.

Ela assinou sua primeira obra publicada, Razão e Sensibilidade, com a expressão By a Lady – por uma dama. O romance seguinte (o famoso Orgulho e Preconceito) foi identificado como “pela autora de Razão e Sensibilidade”. A página-título de seus dois romances póstumos (Persuasão e a Abadia de Northanger) foram identificados como "pela autora de 'Orgulho e Preconceito’, ‘Mansfield Park’, etc.". No entanto, uma nota biográfica escrita por seu irmão Henry Austen para esta publicação a identificou pelo nome, sendo a primeira vez que alguém soube com certeza quem havia publicado essas obras (1817).

Crítica social irônica, mas de escrita refinada, Jane Austen desafiou regras com a forma que construiu suas histórias e suas personagens femininas e, ainda hoje, continua entregando um legado cheio de bons ensinamentos para todos os seus leitores, que não são apenas mulheres, pois ela não escreveu apenas romances, ela explorou com lucidez a complexidade da natureza humana e seus relacionamentos. Indo mais além, a fé cristã que moldou a vida dela cintila discretamente em suas narrativas, oferecendo ao leitor mais atento um material de incentivo à reflexão sobre as próprias atitudes. O nome Jane Austen atravessou os tempos e, no século XXI, além de continuar a atrair novos fãs, também é objeto de estudos no meio acadêmico.



JANE AUSTEN

1777 – 2025

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