"Já não consigo escutar em
silêncio. Tenho de lhe falar pelos meios ao meu alcance. Anne transpassa-me a
alma. Sinto-me entre a agonia e a esperança. Não me diga que é demasiado tarde,
que sentimentos tão preciosos morreram para sempre.
Declaro-me novamente a si com um
coração que é ainda mais seu do que quando o despedaçou há oito anos e meio.
Não diga que o homem esquece
mais depressa que a mulher, que o amor dele morre mais cedo. Eu não amei
ninguém, se não a ti. Posso ter sido injusto, posso ter sido fraco e rancoroso,
mas nunca inconstante. Vim a Bath unicamente por sua causa. Os meus pensamentos
e planos são todos para si.
Não reparou nisso? Não percebeu
dos meus desejos? Se eu tivesse conseguido ler os seus sentimentos, como creio
que deve ter decifrado os meus, não teria esperado estes dez dias. Mal consigo
escrever. A todo o momento estou a ouvir uma coisa que me emociona. Anne baixa
a voz, mas eu consigo ouvir os tons dessa voz, mesmo quando os outros não
conseguem.
Criatura demasiada boa, demasiada pura! Faz-nos, de fato, justiça, ao acreditar que os homens são capazes de um verdadeiro afeto e uma verdadeira constância. Creia que esta é fervorosa e firme no F. W. Tenho de ir, inseguro quanto ao meu futuro; mas voltarei, ou seguirei o seu grupo, logo que possível. Uma palavra, um olhar será o suficiente para decidir se irei à casa do seu pai esta noite, ou nunca."
F. W.
Persuasão, Jane Austen, 1816

.jpeg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário