Boa noite, pessoal!
Puxa vida! Fazia tempo que não
lia. Aos poucos estou retornando para os meus amigos livros. Recomeços são tão
bons.
São tempos de luz, o dia do
nascimento de do Messias está chegando e nada como pararmos um pouco para um
momento de reflexão e autoavaliação, mas que não se restrinja a essa época
apenas e sim ao ano vindouro por completo.
Li esse livrinho que trago aqui
para vocês em apenas dois dias, mas não porque faço leituras rápidas não.
Garanto que se vocês também o farão. Ele, na verdade, proporciona
isso. À medida que você vai lendo, você não quer mais parar, tanto pela leitura
que flui naturalmente como porque você acaba fazendo amizade com a
protagonista.
O livro a que me refiro é
“Pollyanna”, de Eleanor H. Porter, e foi publicado em 1913.
Então, o que temos aí? Uma
distância de 105 anos entre ele e nós, mas que não se perdeu no tempo e é
considerado um clássico da literatura infanto-juvenil. No entanto, nem todo
mundo sabe da existência desse livrinho. É por isso que precisamos ajudar a propagá-lo.
A obra gira em torno de uma
garotinha chamada Pollyanna, de 11 anos, que perdeu os pais muito cedo e foi
morar com a rica tia Polly, de semblante e atitudes severos adquiridos ao longo
da vida, na cidadezinha de Beldingsville. Tia Polly apenas aceita receber a
menina porque acha que é seu dever e precisa ser cumprido, uma vez que é a sua
única parente viva.
Pollyana é uma garota que
aprendeu com o seu pai a jogar o “Jogo do Contente”, que consiste em extrair as
coisas boas de cada situação, mesmo das mais desagradáveis.
Quando a garota chega à cidade,
a tia não a recebe com simpatia, mas mesmo assim Pollyana joga o “Jogo do
Contente” e diz estar feliz por tê-la por perto, já que se trata uma pessoa de
sua família, em especial irmã de sua mãe.
Muito austera ao ponto de
ofertar um singelo quarto no alto da escada do sótão à alegre Pollyana em meio
a tantos outros bons e mais confortáveis na mansão, aos poucos ela vai se
desarmando contra a vontade.
De início, tia Polly acredita
que o dia só era proveitoso se os deveres fossem cumpridos. Mas que deveres
seriam esses? Trabalhos e estudos:
“Um a um, os dias de julho foram se passando. Para Pollyana, foram dias
felizes. Ela sempre falava alegremente para tia o quanto eles eram realmente
felizes. Em geral, Miss Polly respondia, com ar cansado:
– Muito bem, Pollyana,
fico grata, claro, que sejam dias felizes, mas acredito que sejam proveitosos
também, caso contrário, eu estaria, sem dúvida, falhando no cumprimento do meu
dever. (...) Um dia, durante uma aula de costura, Pollyana perguntou ansiosa:
– A senhora quer dizer, tia
Polly, que, se fossem apenas dias felizes, não seria suficiente?
– É o que estou dizendo,
Pollyana.
– Têm de ser pro-vei-to-sos
também?
– Com certeza.
– O que é ser pro-vei-to-so?
– Ora, é... simplesmente ser
proveitoso... Ter proveito, ser útil, trazer benefícios, Pollyana. Que menina
incomum você é.
– Então, apenas ficar contente
não é pro-vei-to-so? – questionou Pollyana, ainda mais ansiosa.
– É claro que não (...)”
Como vemos, a protagonista chega
para mudar a vida de todos da cidade. Com o tempo, a tia vai se abrindo e
conseguindo expressar seus sentimentos em relação à menina e à vida. Durante
muitas passagens, tia Polly se refere a Pollyana como sendo uma menina
“incomum”.
Pollyana, embora tenha sido
escrito e ambientalizado no início do século XIX, aborda valores como ética,
empatia, compreensão, solidariedade que pertencem, ou deveriam pertencer, a
quaisquer época e lugar.
Em poucas páginas, Pollyana
consegue transmitir todos esses princípios para os que estão ao seu redor e,
inclusive, para o leitor.
Passagem interessante é quando
Pollyana tenta conseguir, sem sucesso, um lar para o seu novo amigo Jimmy Bean
com as senhoras da igreja, já que sua tia não o aceitou:
“(...) Pareceu a Pollyanna que aquela sociedade era famosa por suas doações a missões indianas e algumas mulheres disseram que seriam castigadas até o dia de sua morte se enviassem menos dinheiro naquele ano. (...) tudo levava a crer que elas não se importavam nem um pouco com o que o dinheiro compraria, contanto que o valor escrito em frente ao nome da sociedade delas em um certo ‘relatório’ ‘fosse o primeiro da lista’; mas claro que não pode ter sido isso, de jeito nenhum, que elas estavam querendo dizer. (...) Porém, ela estava, também, muito chateada, porque não sabia que não seria nada fácil, e sim bastante triste, contar para Jimmy Bean, no dia seguinte, que as senhoras da igreja tinham decidido que era melhor mandar todo o dinheiro da sociedade para criar meninos indianos do que separara uma quantia suficiente para criar um menino da própria cidade delas, já que isso não ia garantir nem ‘um mínimo de crédito no relatório’, de acordo com aquela mulher (...)
A edição que li é do Grupo Autêntica:
O recado que Eleanor H. Porter nos envia usando Pollyanna como mensageira é bonita e simples: é importante enxergar não somente as coisas ruins de cada situação, mas também os pequenos detalhes que nos felizes. É um livro interessante para todas as idades. Garanto que é uma leitura que vale a pena ser feita. Portanto, se tiver oportunidade, leia Pollyana. É impossível não se tornar sua amiga e, inclusive, não jogar o jogo do contente com ela.
Boa noite!





Nenhum comentário:
Postar um comentário